Pandemia

Pesquisa do IPO aponta carências da saúde no RS

Presidente da Assembleia Legislativa pretende utilizar recursos da venda de estatais para custear procedimentos eletivos represados

O Instituto Pesquisas de Opinião (IPO) apresentou nesta segunda-feira (2), na Assemblei Legislativa do Rio Grande do Sul, os resultados da pesquisa que mediu os impactos da pandemia de Covid-19 na saúde do Estado. Após ouvir mil pessoas em todas as regiões do RS, o IPO aponta a demora no atendimento, a falta de médicos e as filas de espera para cirurgias como os principais problemas a serem corrigidos no sistema de saúde gaúcho.

O presidente da Assembleia, deputado Gabriel Souza (MDB), anunciou uma iniciativa para reduzir as filas de espera por cirurgias no Estado. A proposta visa organizar um mutirão para a realização de procedimentos eletivos represados em consequência da pandemia. Para isso, prevê o custeio dos serviços com recursos financeiros das privatizações de empresas públicas efetuadas pelo governo do Estado recentemente. “O que estamos sugerindo é um programa de mitigação da fila de espera já no segundo semestre deste ano, por meio do repasse de recursos extraordinários das privatizações para os hospitais conforme suas produções”, explicou o presidente.

O levantamento identificou as percepções e necessidades do setor de uma maneira geral. De acordo com a pesquisa, 25,9% dos gaúchos dizem que o principal problema é a demora/falta de atendimento. Segundo a avaliação do IPO, este atraso está associado ao tempo que o paciente leva para conseguir uma consulta, além do período de espera dentro do posto de atendimento e a necessidade de remarcação pela ausência do médico especialista.

Para 11,8% é a falta de médicos/profissionais. Também foram lembrados falta de investimento na área da saúde (8,9%) e superlotação/sistema hospitalar deficiente (7%). O principal dilema, segundo a pesquisa, está associado ao número de médicos disponíveis para a população. Os entrevistados relatam situações de postos de saúde sem médicos ou de médicos que não aparecem.

Os entrevistados também foram questionados sobre os problemas da área da saúde durante a pandemia. Neste questionamento mais específico, a falta de leitos e a superlotação do sistema é grande preocupação para 16,8%. Também foram bem citadas a demora ou falta de atendimento (11,1%), falta de médicos/profissionais (8,4%), descaso com as demais doenças (5,2%) e falta de vacina (5,1%).

“Acho que durante a pandemia foi a falta de profissionais qualificados, principalmente em doenças respiratórias, e profissionais que soubessem entubar pessoas de forma correta”, disse um morador da região de Pelotas, com idade entre 25 e 34 anos, com renda familiar de um a dois salários mínimos e que utiliza o SUS eventualmente.

Para o instituto, a pandemia intensificou a leitura de que o sistema de saúde não estava preparado para o atendimento das necessidades em escala. Os gaúchos se preocupam com a futura gestão das demandas reprimidas da saúde (especialistas, exames e cirurgias) e com uma política de tratamento das sequelas da pandemia.

Sugestões de leis
Na parte final da pesquisa, os entrevistados sugeriram leis que a Assembleia Legislativa deveria fazer para melhorar a saúde pública do RS. A agilidade no acesso aos tratamentos de saúde é o tema que deve ser deliberado, estabelecendo tempos aceitáveis com investimentos em tecnologia para gerir a informação. Devem ser ampliados os recursos na área da saúde. A Assembleia deve aprimorar os mecanismos de fiscalização da gestão financeira da saúde, garantindo que a Constituição seja cumprida. O estudo aponta que a agilidade é a grande preocupação da população.

Segundo a diretora do IPO, a cientista social e política Elis Radmann, três ações prioritárias para a regulamentação foram amplamente debatidas na reunião: separar locais de atendimento Covid e não Covid; estimular mutirões das demandas reprimidas e estabelecer uma regra de espera limite para atendimento o especializado.

“O presidente da Assembleia sinalizou a necessidade de mais recursos para a saúde, para que houvessem ampliação, principalmente nos atendimentos hospitalares, levando em consideração atendimentos não Covid-19 e as demandas reprimidas de exames, especialistas e cirurgias eletivas.”

Atendimento pelo SUS
Para o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers), Eduardo Neubarth Trindade, um fator surpreendente da pesquisa foi o número de pessoas que utilizam o Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com o estudo, 83,2% dos gaúchos recorrem ao atendimento público. Destes, 50,9% utilizam apenas o SUS, enquanto 32,3% também recorrem aos planos de saúde particulares. “Em alguns aspectos a pesquisa surpreendeu. Primeiro pelo grande número de pessoas que utilizam o SUS, mesmo aquelas pessoas com plano de saúde também se utilizam, de alguma forma, do sistema”, destaca.

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